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Resenha: Queensrÿche - Monsters of Rock, São Paulo (20/10/2013)

A versão de Geoff Tate do Queensrÿche se apresentou ontem (20/10/13) no festival Monsters of Rock, na Arena Anhembi, São Paulo. Geoff mostrou que o tempo não é o maior problema dos vocalistas de metal dos anos oitenta hoje - (pelo menos pra ele).


Não registrei nenhum problema na organização até entrar no Anhembi, ao entrar percebi que o maior problema estava na direção do palco - que era a mesma direção em que o sol nasce, ou seja, sol brilhava sem dó no público e no rosto dos músicos de 11h até o final da tarde, que se prolongou devido ao horário de verão. O Anhembi também não oferece muitos lugares cobertos. O segundo problema é comum em todos os shows desse tipo - a facada nos preços dos produtos oficiais (água, hot-dog, cerveja, camiseta, etc...).


Quando se fala em Queensrÿche a primeira coisa que se deve lembrar é que existem duas versões. Pois bem. Ao entrarem ao palco apresentado pelo lendário jornalista de Hard Rock e Heavy Metal, Eddie Trunk - (mais ou menos às 15:30h) - com Robert SazoKelly Gray (guitarras), Rudy Sarzo (baixo), Simon Right (bateria) e Randy Gane (teclados), mostraram que Geoff Tate não perdeu nada ao sair do Queensrÿche original. Embora pareça “uma banda cover com o vocalista original”, o grupo também lançou um álbum de inéditas em abril desse ano. Foi executada apenas uma faixa de "Frequency Unknown" no evento.

A faixa "Cold", do único álbum dessa versão do Queensrÿche foi também a única do mesmo a ser executada no evento. O single é a primeira faixa do álbum. A música foi bem criticada ao ser lançada por não ter a mesma pegada da banda original, porém tudo tudo para se tornar mais um dos poucos clássicos.


Dando início ao show já com um clássico de cara, "Best I Can" mostrava ao público que se tratava de Geoff Tate, "o cara da voz". A única critica de quem vos descreve vai para os back-vocals na execução dos clássicos. É claro que não tinha como serem tocados perfeitamente como na gravação em estúdio, porém poderia ter sido melhor.


A banda também tocou "Big Noize", música que pertence ao último álbum de Geoff Tate com o Queensryche original. Vale dar uma atenção especial na perfeita execução de "Another Rainy Night (Without You)", quarta música do setlist. A interação entre as guitarras com o baixo era incrível, devia ser porque os irmãos Sarzo já haviam tocado juntos com Kelly Gray em projetos anteriores.


Sem dúvidas (notavelmente) a música mais esperada pelo público foi "I Don't Believe in Love", que cantava cada palavra. A canção também faz parte do álbum "Operation: Mindcrime", lançado em 1988. Outra música que também levantou bastante o público foi "Jet City Woman", mais um dos poucos sucessos da banda. "Eyes of a Stranger", que veio a ser a última do show, também animou bastante os fiéis fãs presente nesse show e evento históricos.

Confira abaixo o setlist completo:

1- Best I Can
2- Breaking the Silence
3- Cold
4- Another Rainy Night (Without You)
5- Big Noize
6- The Mission
7- I Don't Believe in Love
8- Silent Lucidity
9- Jet City Woman
10- Empire
11- Eyes of a Stranger

Resenha: Black Sabbath - Praça da Apoteose, Rio de Janeiro (13/10/2013)

Os pioneiros do Heavy Metal do Black Sabbath se apresentaram ontem (13/10) na Praça da Apoteose - Rio de Janeiro. O show faz parte da turnê de divulgação do novo álbum do grupo, chamado "13" e também marca a volta do grupo. Há tempos a Apoteose não sediava um show tão incrível e memorável como o de ontem, que reuniu no mínimo 40 mil fiéis fãs. O Megadeth ficou responsável pela abertura do show.

Por incrível que pareça, não notei nenhum problema de organização antes das aberturas dos mesmos - que é normal nesses grandes eventos. Às 7h da manhã já haviam pelo menos 30 pessoas na fila. Ao meio dia ela já dobrava o quarteirão.

Construído por Oscar Niemeyer e com capacidade para 88.500 pessoas, a Praça da Apoteose ia se tornando pequena para tanta camisa preta. Um novo nome teria que ter sido dado ao local. Esse nome é "Apoteozzy" - (trocadilho indispensável).



Após longas 7 horas que esperei na fila, abrem-se os portões! Na ansiedade de pegar um lugar bom para ver de perto o show, um inesperado tombo me pegou. Tive o pé esquerdo deslocado. Isso foi algo que poderia acabar com minha noite. Após três horas do tombo, não aguentei e tive que ser levado à enfermaria. Depois de ter sido tratado voltei ao mesmo lugar e, mesmo quase não suportando a dor, consegui ficar de pé até o final e presenciar um dos shows mais épicos que a juventude carioca poderia presenciar.



Enfim 20h! Cortinas abaixando e adrenalina subindo cada vez mais. Pra dar mais emoção aos fãs, eis que ouvia-se uns gritos estranhos do nada - "Ú-ú" e "oÔoÔoÔoÔ". Tratava-se, claro, de Ozzy com suas maluquices de performance para levar os fãs à loucura. Já de cortinas baixas surgia no palco três deuses que simplesmente marcaram a música pesada. Tony Iommi, Ozzy Osbourne e Geezer Butler! Logo de primeira ouvia-se o riff clássico que seria a primeira música. "War Pigs", que por sinal também inicia o clássico disco "Paranoid", lançado em 1970. Foram cantados do início ao fim tanto os riffs quanto a letra da música.


Em seguida Ozzy anunciava "Into The Void" como a segunda música do setlist. A música marca uma das mais 'pesadas' músicas do Sabbath - foi daí que PODERIA ter sido a maior origem do Thrash Metal.



A primeira música do álbum "13" a ser executada na noite foi "Age of Reason", claramente uma das melhores do álbum. A música se encaixou perfeitamente no setlist, que estava recheado de clássicos. A canção (Age of Reason) resgata toda a potência dos primórdios da banda - um Heavy Metal puro e único. Pra não perder o clima, logo após o término, surgia uma sirene conhecida... aquela introdução épica e sinistra... "Black Sabbath"!



Após outras músicas clássicas da banda terem sido executadas (veja o setlist completo no final da resenha), eis que começava uma das mais esperadas. Tratava-se de "Sabbath Bloody Sabbath". Para a tristeza de muitos só tocaram o riff. Iommi adaptou-a música para chegar às casas da última música, que foi "Paranoid"!



Muitos ainda tem lá suas dúvidas sobre Tommy Clufetos, (eu mesmo tinha... até ontem...). Tommy Clufetos, pra quem não conhece, é o baterista que substitui o original Bill Ward nos shows dessa nova turnê da banda. Ele toca na banda de Ozzy desde 2010. Tommy incrivelmente consegue ter a pegada do Black Sabbath, lembrando vagamente o estilo de Bill Ward. Ele consegue executar com perfeição cada detalhe das músicas do grupo. Vale dar uma atenção especial à execução de "Fairies Wears Boots" - Tommy simplesmente detonou. Não é uma tarefa nada fácil substituir um membro original, mas Clufetos mostrou que isso é possível, mesmo que hajam tantas críticas.

Setlist completo:

1- War Pigs
2- Into the Void"
3- Under the Sun/Every Day Comes and Goes
4- Snowblind
5- Age of Reason
6- Black Sabbath
7- Behind the Wall of Sleep
8- N.I.B.
9- Fairies Wear Boots
10- Rat Salad
11- Iron Man
12- God Is Dead?
13- Dirty Women
14- Children of the Grave

Bis:
15- Paranoid (com a introdução de Sabbath Bloody Sabbath).

Agradecimentos à Pedro Dutra e Alice Xavier pelas fotos.

Os cinco melhores shows do Rock in Rio de acordo com o Dynasty Rock News


O Brasil acompanhou neste mês grandes e épicos shows no Rock in Rio, que realizou sua quinta edição na cidade do Rio de Janeiro. Aproveitando o embalo, a equipe do Dynasty Rock News elegeu os cinco melhores shows do evento. Segue abaixo as bandas, pequenas resenhas e show completo em vídeo.

5º lugar: John Mayer:
(Por Lucas Caldeira).

Surpreendeu. Não se sabe a quem, a quantos, mas o show de John Mayer surpreendeu pela grande qualidade e animação que foi proporcionada' ao público presente. Com um setlist bastante diferenciado do que costuma apresentar nos shows, John Mayer levou música de qualidade aos presentes com algumas músicas do seu recente trabalho, “Born and Raised’’, que compuseram a maior parte do que foi reproduzido.


Com seus solos de guitarra, Mayer enlouqueceu o público (maior parte formada pela mulherada) que acompanhou a apresentação no festival ou em casa. Provavelmente, a confiança que o norte-americano aderiu antes de subir ao palco, fez com que o show se tornasse um dos melhores do Rock in Rio 2013.



4° lugar - Helloween + Kai Hansen
(Por Leandro Maciel).

Sem espaço sequer para se mexer, o público do Palco Sunset no último dia do evento (22) dava a prever do que realmente se tratava. A organização do evento não havia registrado tantas pessoas no Palco Sunset em todos os dias de shows anteriores. A banda alemã fez sua estreia no Rio acompanhado de sua nova turnê, que divulga o novo álbum do grupo, o "Straight Out of Hell". A banda não deu preferência ao novo álbum, até porque também executaram clássicos que consolidaram a banda desde o início de sua carreira.


A organização deveria ter pensado mais antes de colocar o Helloween no Palco Sunset. Mereciam sem sombra de dúvidas o Palco Mundo!





3° lugar - Iron Maiden:
(Por Leandro Maciel).

Apesar do show ter sido o mais esperado, não nos convenceu. Nossa maior crítica não está em torno da escolha do repertório (que faltou alguns clássicos),  mas sim na performance, que, cá entre nós, não foi lá essas coisas (em sentido de animação). Mas tirando isso, Iron é Iron e ponto!




2° lugar - Metallica:
(Por Lucas Caldeira).

Na segunda apresentação em edições seguidas no Rock in Rio, o Metallica trouxe em seu setlist (com algumas semelhanças com a apresentação de 2011) hits que se tornaram com o passar do tempo, intocáveis.


Repetitivo, mas empolgante. É isso que podemos dizer da possível "mesmice" – de qualidade – que o Metallica traz a cada vez que passa pelo Brasil.




1° lugar - Bruce Springsteen:
(Por Leandro Maciel).

A escolha não poderia ter sido melhor para o primeiro lugar - o 'Boss' fez, sem dúvidas, o melhor show dessa edição. Abrindo o show com um cover de "Sociedade Alternativa", de Raul Seixas, Bruce mostrou que não faltaria energia em sequer um segundo. Em quase três horas de apresentação a banda executou clássico "Born in the USA" na íntegra. A interação com o público foi incrível!

Com o público e banda satisfeitos com o evento, Bruce prometeu voltar ao país em breve.





Shows que poderiam ser melhores/bons:

Sebastian Bach;
Bon Jovi;
Almah.

Shows que dariam continuação à lista dos melhores (não estão em ordem):

Ghost;
Dr. Sin;
Slayer;
Marky Ramone;
Rob Zombie;
Destruction + Krisiun;
 Sepultura + Zé Ramalho;
 Andre Matos + Viper.

Resenha: Angra + Fabio Lione - Rio de Janeiro (28/07/2013)

Apesar dos últimos problemas passados pelo Angra (após a saída do vocalista Edu Falaschi em maio do ano passado) e já pensando no futuro incerto, a banda se fortaleceu com toda confiança em sua nova turnê, que comemora os 20 anos do excepcional "Angels Cry". Quem assumiu os vocais foi Fabio Lione (Rhapsody of Fire).



O Angra se apresentou ontem (28/07) no Circo Voador, Rio de Janeiro. O show foi o único na cidade junto de sua nova turnê, que comemora os 20 anos de lançamento do álbum "Angels Cry".


Apesar da cidade estar parada devido à Jornada Mundial da Juventude, que modificou todo o esquema de transporte na última semana, a banda não foi impedida de lotar a casa, na qual não tocavam desde 1994. Com capacidade para duas mil e oitocentas pessoas, o Circo Voador foi ocupado por pelo menos dois mil fãs, fazendo com que o espaço ficasse pequeno.



Executando a faixa "Angels Cry" logo de cara, o grupo mostrava que a noite seria pequena pra tantos clássicos - tanto da fase Andre Matos quanto a de Edu Falaschi. Fabio Lione logo mostrou aos fãs do que era capaz. Com seu poderoso vocal harmonizado com sua simpatia deixou o público mais que satisfeito e com gosto de 'quero mais'. A banda brasileira subiu ao palco às 20h20h, atrasando 20 minutos.


O setlist da apresentação ficou bem dividido dentre as fases do grupo, dando preferência ao 'Angels Cry', que era a estrela da noite. O repertório também apresentou músicas em versões acústicas, na qual Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt tocaram sós - foram elas 'Reaching Horizons', 'Late Redemption' e 'Make Believe' - que levaram emoção ao público, que mostraram conhecer cada uma das músicas mais antigas.



Na sessão acústica Rafael e Kiko também falaram sobre as composições do álbum "Holy Land". Contaram que na época foram para um sítio do tio de Rafael e ficaram lá - "sem namoradas", brincou Kiko - por dois meses até que concluíssem todas as músicas para o disco.



Retornando ao palco após a sessão acústica, a banda executou 'Nova Era', 'Rebirth' e 'Carry On', que pode se notar claramente que eram as mais aguardadas pelo fiel público. Os fãs sairam de lá com total satisfação de ter presenciado essa fase "Rebirth (renascente)" da banda.




Confira abaixo o setlist completo:

1 - Angels Cry
2 - Nothing to Say
3 - Waiting Silence
4 - Time (com Gus Monsanto)
5 - Lisbon
6 - Millennium Sun
7 - Gentle Change
8 - Winds of Destination
9 - The Rage of The Waters (Rafael)
10 - Silence and Distance
11 - Wings of Reality

Sessão acústica:

12 - Reaching Horizons
13 - Late Redemption
14 - Make Believe

15 - No Pain for the Dead
16 - Evil Warning

Bis:

17 - Nova Era
18 - Rebirth
19 - Carry On

Resenha: Guthrie Govan - Campo Grande, Rio de Janeiro (25/05/2013)


O lendário guitarrista Guthrie Govan (Asia, The Aristocrats) deu um exemplo de carisma e profissionalidade em sua primeira turnê brasileira. O músico se apresentou hoje (25/05/2013) na Escola de Guitarra Luciano Alf (LA) em Campo Grande - bairro do Rio de Janeiro.

Há tempos Campo Grande não recebia alguém de tão grande porte e importância principalmente para os guitarristas profissionais, aprendizes e músicos. Uma excelente iniciativa dos organizadores trazerem este grande músico. Perfeita escolha!



O Workshop, que foi marcado para ter início às 15h, começou pelo menos duas horas depois devido à um atraso no voo de Govan.. Apesar do atraso, Guthrie demonstrou e recompensou os fãs com puro carisma, simpatia e profissionalidade, não só preocupado em mostrar sua sabedoria e técnica como também dar dicas valiosas para músicos e fãs.



Por pelo menos metade da apresentação Guthrie respondeu perguntas feitas pelos fãs, deu também dicas e contou também um pouco de sua história - desde quando teve seu primeiro contato com uma guitarra (aos três anos de idade) até a escolha de seu gênero, no qual era minoria e considerado "estranho" por seus amigos. Na outra metade da apresentação tocou (com back track) músicas de seu primeiro e último álbum solo, o "Erotic Cakes", lançado em 2006. A música mais esperada pelo público foi "Waves", na qual executou com toda virtuosidade. Bem humorado do início ao fim!



Perguntado sobre um novo álbum solo, Guthrie disse que não lançará tão cedo. Ele diz que prefere lançar um trabalho com alguma banda do que fazer um trabalho onde recebe 100% da atenção. O músico falou também sobre seu novo trabalho com o The Aristocrats. Ele anunciou que seu novo trabalho com o grupo, no qual faz parte desde o final de 2011, que lançarão um novo álbum em Julho ainda deste ano. O trabalho recebeu o nome de "Culture Clash".



O Workshop poderia ser melhor se o local fosse mais pensado e organizado. A apresentação foi realizada dentro de uma pequena sala onde, com todo o público, não havia como sequer mover-se. Sentados no chão, os fãs assistiram ao músico durante mais de duas horas até a mais esperada hora, a sessão de autógrafos.



Após a apresentação e antes da esperada sessão de fotos/autógrafos, Guthrie deixa sala e instrumentos para fumar, brincando que "a nicotina o chamava". Ao retornar (40 minutos depois) seguiu firme e sem pressa, mesmo após ter ficado de pé e falando por mais de duas horas.

'Let it Bleed' - Rolling Stones (1969)

Rolling Stones, Let it Bleed, Gimme Shelter

Lançado em 1969, 'Let it Bleed' é um dos melhores álbuns que já foram lançados pelos Rolling Stones. O oitavo disco dos Stones prossegue com a pegada e com o ritmo de seu antecessor: 'Beggars Banquet', lançado em 1968.

Aberto com ''Gimme Shelter'', 'LiB' continua, indiferentemente dos outros álbuns(que vieram antes), com a mesma linha de pegada que vinha sendo transmitida desde o primeiro trabalho dos Rolling Stones: qualidade. E este é um dos pontos fortes do álbum que resume todas as influências de raiz da banda em 42 minutos - 9 faixas.

A canção de abertura ganhou forma após um assassinato ter ocorrido em um dos shows e também pela gravação do disco ter ocorrido em um período violento, como disse Mick Jagger:  ''Bem, era uma época violenta. A Guerra do Vietnã, guerra nas telas...acho que o lance da guerra influencio muito o álbum.''

A segunda faixa, ''Love in Vain'', é um blues de Robert Johnson,  gravado nos anos 30 e em contraponto à empolgante ''Gimme Shelter'', podemos aqui nessa faixa identificar uma balada calma e angustiante que é uma das exclusivas desse disco. Digo exclusiva pelo fato dos anos 60 estavam acabando e naquela altura, o rock já tinha perdido a inocência e sendo assim, nada melhor que a falta da inocência nas letras tenha começado pelos Stones - talvez um dos únicos capazes de produzir algo mais relacionado ao lema ''Sexo, Drogas e Rock n' Roll'' que aliás, representava bem a fase atual do grupo.

Rolling Stones(Mick Jagger, Keith Richards), 1969

Se 'Beggars Banquet' era voltado para um lado mais blues e você gostou disso, você possivelmente curtirá  'Let it Bleed' - mesmo com diferenças encontradas. Uma das principais diferenças é a presença mais aguda do jazz e do country que não vinham se destacando em excesso nos trabalhos anteriores. A terceira canção, ''Country Honk''(gravada no período em que estiveram em uma fazenda no interior de São Paulo) - que é praticamente uma cópia de ''Honk Tonk Women'', se não igual - comprova bem o argumento.

''Live With Me'' é inconfundivelmente Rolling Stones, com a pegada de blues e jazz de sempre e um tanto curiosa por ter Keith Richards no baixo.

Parece que os Stones se saíram bem no primeiro trabalho sem um dos fundadores do grupo: Brian Jones. Se é que Jones estava dando alguma influência e fazendo alguma diferença no período em que antecedeu o oitavo trabalho da banda.


O lançamento do disco comprovou no histórico do grupo a fase áurea em que estavam vivendo desde o lançamento de 'Aftermath' em 1966. 'Let it Bleed' é para muitos no mínimo Top 3, geralmente atrás de 'Exile  On Main Street' e 'Sticky Fingers'.

Disco espetacular. Rock n' Roll puro.

Track-list:

"Gimme Shelter" – 4:32
"Love in Vain" (Robert Johnson) – 4:22
"Country Honk" – 3:10
"Live with Me" – 3:36
"Let It Bleed" – 5:34
"Midnight Rambler" – 6:57
"You Got the Silver" – 2:54
"Monkey Man" – 4:15
"You Can't Always Get What You Want" – 7:30

Kiss: 36 anos de 'Rock And Roll Over' (1976)

Nota: 8

Gravado em setembro de 1976 e lançado em 11 de novembro de 1976, 'Rock and Roll Over' não tinha como missão fácil suceder o clássico 'Destroyer', que se tornou um item obrigatório em toda prateleira de um apreciador de uma boa música. No entanto, a sonoridade de 'Rock and Roll Over' não era de tamanha igualdade e desfocou das músicas que acabam se tornando populares, como por exemplo: "Detroit Rock City'', ''Rock and Roll All Nite'', ''Beth'' e por aí segue.

A capa do disco foi desenhada pelo artista Michel Doret, que também fez um trabalho no "Sonic Boom", lançado em 2009.

Pelas divergências na sonoridade, que não são tão agudas assim, o Kiss mostra em seu quinto lançamento que a característica própria de sonoridade estava formada, mas que nos remete a essência presente nos primeiros lançamentos da banda devido à volta de Eddie Kramer na produção (que já havia trabalhado com o grupo em 'Alive1').

É interessante salientar que a gravação da bateria foi feita dentro de um banheiro do Star Theatre para assim "ter um som adequado", segundo Peter Criss.

A seguir teremos as músicas destacadas no álbum.

Com vocais rasgados, o trabalho é aberto com ''I Want You'', liderada por Paul Stanley, que de ''bate-pronto'' nos apresenta um hard rock básico e curto que prossegue pelas outras 9 faixas do disco. Classificamos então em: aula de hard rock puro e bom. Não tão leve, mas também não tão pesado.

Pulando algumas faixas temos "Hard Luck Woman", escrita por Paul Stanley para Rod Stewart produzir e cantar, porém ele não deu a mínima na época. Visto que Rod não tinha gostado, Peter Criss fez questão de cantá-la e ver no que dava... e o resultado foi que a canção se tornou um dos maiores sucessos do álbum e também uma das maiores canções de sucesso do Kiss.

A faixa "Take Me", possui quase o mesmo segmento de "I Want You" - uma verdadeira aula de Hard Rock, porém mais curta, e também não deixando de lado o foco, que era amor e sexo.

Falando de sexo, "Makin' Love" fecha o disco dando uma previsão do que a banda traria no próximo álbum: mais sexo.

Conclusão:

Como foi citado mais de uma vez no texto, 'Rock And Roll Over', gravado no auge da carreira do Kiss, é definitivamente uma aula de Hard Rock e um clássico; com letras que falam de sexo e amor. Forte candidato a melhor álbum do grupo. Quem curte boa música não pode deixar de ouvir.

Ficha técnica:


Produtor: Eddie Kramer
Gravadora: Casablanca / Mercury

Gene Simmons: baixo, backing vocal e voz
Paul Stanley: guitarra rítmica, backing vocal e voz
Peter Criss: bateria, backing vocal e voz
Ace Frehley: guitarra solo


Tracklist:

01. I Want You
02. Take Me
03. Calling Dr. Love
04. Ladies Room
05. Baby Driver
06. Love 'Em And Leave 'Em
07. Mr. Speed
08. See You in Your Dreams
09. Hard Luck Woman
10. Makin' Love

'Draw the Line' - Aerosmith (1977)


Sucessor de Rocks(1976), Draw the Line mostra um lado que não vinha sido mostrado nos lançamentos anteriores do Aerosmith. A mistura de blues com rock n' roll e a pegada mais leve mostra neste disco que a banda estava cada vez mais disposta a mostrar suas diversas caras.

Para aqueles que não curtem o estilo do blues, é um álbum extremamente sonolento se formos levar como base o termo do 'gostar', da comparação com outros lançamentos do próprio Aerosmith e da década que ali se encontravam. Em Rocks, você encontra logo de cara: ''Back in The Saddle''. Uma das maiores e melhores canções do hard-rock já gravadas, com o ritmo da guitarra de Joe Perry totalmente influenciada por Jimmy Page(Led Zeppelin). Em ''Draw the Line''(faixa) as divergências já começam a aparecer na introdução da música: guitarra progressiva.

O disco não acompanhou, a banda não conseguiu acompanhar, mas ainda sim o Aerosmith conseguiu provar que tem uma mente aberta, assim, foi possível do grupo criar seu próprio caminho produzindo um álbum extremamente focado na música mais leve.

Se você curte um som mais pesado e se limita a isso, não é melhor você nem ouvir Draw The Line pois você vai passar a odiar o Aerosmith. Mas se você é aberto e está disposto à ampliar sua mente, não irá perder seu tempo.

O trabalho é vencedor de 3 discos de platina(1977, 1996(2x) - RIAA) e também já faturou o disco de ouro  em 1977. Todos estes pelo lado norte-americano.

Faixas:

1.- "Draw the Line" 
2.-"I Wanna Know Why" 
3.-"Critical Mass" 
4.-"Get It Up" 
5.-"Bright Light Fright" 
6.-"Kings and Queens" 
7.-"The Hand That Feeds" 
8.-"Sight for Sore Eyes"  
9.- "Milk Cow Blues"  

Gravadora: Columbia Records
Produção: Jack Douglas, Aerosmith
Gênero: Blues/Rock/Hard Rock
Ano de lançamento: 1977

Resenha: Stalingrad – Accept

Accept é uma banda consagrada entre os metaleiros, faz um heavy metal clássico sem firulas, a banda abrange temas sociais como sexo, rock/metal e fantasia. O som é rotulado como “Heavy Metal Clássico”. Na minha opinião, é uma das melhores bandas do metal clássico, chegando ao lado de Iron Maiden e Judas Priest .
O Accept tem um papel muito importante no desenvolvimento do power/speed metal na Europa, suas influências vão de Judas Priest a AC/DC. A banda foi montada no início da década de 80′ na Alemanha pelo vocalista Udo Dirkschneider (hoje consagrado como vocalista solo).
Hoje a formação do Accept conta com:
Mark Tornillo – Vocal;
Wolf Hoffmann – Guitarra, backing vocal
Herman Frank – Guitarra
Peter Baltes – Baixo, Backing vocal
Stefan Schwarzmann – Bateria



O Álbum – Stalingrad (Brothers In Death) [2012]




01 – Hung, Drawn and Quartered

A música inicia com um dueto clássico , direto e poderoso, saindo para a sequência de riffs pesados e melódicos que é a idêntidade do guitarrista Wolf Hoffmann seguido de um lick/solo.
A voz de Mark ainda esta em um ponto alto, não perdendo nada em relação ao penúltimo album da banda (Blood of the Nations [2010] Eleito melhor album daquele ano) . Voz sempre arranhada no melhor estilo Brian Johnson (AC/DC) e o ex vocalista da banda, o próprio Udo.
A música é direta, inicia o album com “porradaria”, perfeita para ser a primeira música do trabalho. O refrão também é direto, os versos são corridos, na bateria, Stefan faz aquele feijão com arroz para a música não perder a essência, dando o ritmo com pedais duplos no refrão mostrando que o Accept voltou para arregaçar com tudo mesmo.
No fim das contas o pedal toma conta durante o restante da música apartir da metade, quebrando mais ainda.
02 – Stalingrad
A segunda música é que da título ao album fala da Batalha de Stalingrado, que custou a vida de pelo menos um milhão de soldados alemães, de tropas do Exército Vermelho Soviético e civis russos, foi a mais sangrenta das batalhas decisivas da Guerra de Extermínio liderada por Hitler.
Riffs cavalgados no primeiro verso dão mais uma vez o peso que o Accept sempre obteve com os riffs de Wolf Hoffman, logo de ponte a música da uma esfriada com um toque melódico, com backings vocals em coro (clássico do Accept), e Mark soltando o vozeirão introduzindo o refrão.
O refrão entra o couro Accept de se fazer, gritando “STALINGRAD”, com Mark fazendo suas firulas por cima destes backings. O pós refrão também clássico com o coreto fazendo notas graves.
Grande música, duetos, riffs, baterias. Talvez a melhor do album. No final da música Wolf chama um de seus solos magníficos, com muita melodia em cima de um clima nostálgico.
03 – Hellfire
Outra introdução clássica com uma sirene de guitarras no fundo, levando a um riff pesado e cadenciado. Logo mais o baixo pega, aqui já da para saber que o Accept vai quebrar tudo durante o cd inteiro, pois é outra pedreira, as frases de Mark são muito bem elaboradas, os riffs cada vez mais, da vontade de não parar de escutar cada música que passa.
O pré refrão muito pesado, havendo trocas de guitarras com vocais, já o refrão é pegado como sempre com a batera subindo de batida até chegar no pedal duplo novamente.
Vamos falar de solo, até agora o melhor solo de guitarra do cd. Perfeição com harmônicos estalados e altos, definem bem o heavy clássico da banda, característica única do Wolf.
04 – Flash to Bang Time
Essa sim revela o baterista Stefan, a música inicia com ele introduzindo uma porradaria power metal seguida de solos. A música é quebraceira total de guitarras, só pára para Mark cantar seus versos e já volta a porradaria. O refrão são os coros cantados de Mark com backing vocals e em seguida ele solta aqueles gritos “metal”, música que ja foge um pouco das anteriores, mas não quer dizer que seja uma música ruim, é diferente, basta entender o que esta sendo transmitido.
Depois do segundo refrão a música pega uma linha de “fúria” com Mark cantando tudo em uma linha de notas baixas colando no solo furioso. Depois do solo vem o dueto majestoso! Muito boa passagem da música que ainda não tínhamos visto nas músicas anteriores, esta quebraceira toda desemboca novamente no refrão.
05 – Shadou Soldiers
Esta começa com uma introdução linda, violão e por baixo uma guitarra “chorando”, isto é abertura de um riff cadenciado/cavalgado, em clima de “guerra” mesmo. O riff principal é dobrado, mantém a linha com os vocais explicando que soldados morreram pela liberdade.
Meu estilo preferido de música, o verdadeiro Metal Clássico é mostrado perfeitamente nesta música, obra prima do Accept. O refrão clássico com backings e tudo o que tem direito. É aquela música que costuma arrepiar os ouvintes/amantes do bom e velho feeling, solos chorados e perfeitamente executados por Wolf que é sem dúvidas um dos melhores guitarras/feeling que conheço.
06 – Revolution
Inicia com um couro de “pessoas” que estão prontas para revolucionar, a introdução mostra que vem porradaria novamente, aquelas famosas introduções com pratos de batera sendo segurados, dão inicio a mais um riff speed, versos trabalhados e gritados, cheios de licks de guitarras no fundo. O refrão coloca os mesmos ingredientes usados nas músicas anteriores, o refrão com backings seguidos de gritos marcantes de Mark.
07 – Against the World
Esta música traz um refrão bem marcante e muito mais melódico que os anteriores, ao contrário dos outros, o vocal entra antes e o coro de backings depois, os riffs são cavalgados mas bem distribuídos entre guitarras, com notas cheias, elaborando bem os versos.
08 – Twist of Fate
Esta música traz um clima inicial de vingança, o baixo da a cadência nesta música, levando as guitarras a fazerem licks melódicos, indo e vindo nas notas. Nos refrões são usados “mini” solos acompanhados da voz marcante de Mark, muito boa música, o backing vocal entra na metade do refrão com um riff muito pesado lembrando por que o Accept é uma banda desta grandeza.
A música aumenta a cadência da metade para frente não o tornando uma “mesmice”, muito bem elaborada e composta, não é preciso nem falar, o album é uma obra prima até aqui!
Alavancas ressoam no final do solo, depois novamente acelera a música com o refrão em velocidade alta e em baixo aquele solo “fritado”, mas é o “fritado” que poucos sabem fazer.
É um segundo resumo no mesmo cd do que realmente significa “Heavy Metal Clássico”.
09 – The Quick and the Dead
Esta segue a quebraceira do início do cd. Define bem as influências speed e power da banda. Tem um bom verso, e refrão, o que mais marcou são os riffs sem vocal depois do refrão, uma parte instrumental da música, com solos de guitarras e baixo, aí Peter e Herman mostram que também entendem do negócio.
Voltando a falar do refrão, é poderoso e energético, fecha ele com o coro cantando o nome da música.
10 – The Galley
A última música do album inicia com uma introdução ditando o tema de término, característica usada por várias bandas.
Inicia-se um riff cavalgado, entrando a voz e dando espaço ao baixo novamente, dando a ordem neste verso. Mark tem facilidade para conduzir estes trechos em que é uma levada no baixo e as guitarras soltando uns licks. A entrada no refrão é feita como uma obra prima, pré refrão muito pesado dão entrada a um refrão pesado tanto na cozinha como nas vozes.
Solo grande e bem feito com instrumental impecável, retorna ao refrão de forma inigualável, logo após a música da uma esfriada e entra num clima de calmaria, com sons de bixos e passarinhos, agora o que aparece novamente é o feeling de Wolf, conduzindo com um solo melódico de dar arrepios até a música entrar num “fade-out” e finalmente chegar ao final da faixa.

A arte

Prós

O Accept vem desde o penúltimo album com esta formação e lançou 2 albums magníficos, a banda esta muito entrosada, não vejo o que falar da banda de errado, este é o ponto forte dela, trocando de formação todos esperam que se mude algo na banda, mas no Accept não mudou nem sequer a característica vocal.
A banda esta no caminho certo para aumentar mais ainda seu número de fãs e crescer mais ainda, pois não é uma banda tão conhecida quanto o “Iron Maiden” por exemplo, não que o sonho da banda seja este, mas todos gostariam, e alguns se vendem para isso. Menos o Accept.

Contras

As músicas do album seguem muito uma mesma “forma” de composição, não que isto atrapalhe em algo, pois a música é muito boa, mas é previsível onde estará o refrão, o solo, e o pré refrão.

Encontre

Accept – Stalingrad (Brothers in Death) [2012]
05/04/2012


Tracklist:
01 – Hung, Drawn And Quartered


02 – Stalingrad

03 – Hellfire

04 – Flash To Bang Time

05 – Shadow Soldiers
06 – Revolution
07 – Against The World
08 – Twist Of Fate
09 – The Quick And The Dead
10 – The Galley


Nota: 9
Escrita por: Luiz Negrini

Resenhas