David Bowie se tornou um dos artistas mais originais do rock


David Bowie vive recluso desde que passou por uma cirurgia no coração, em 2004. Mas é capaz sair da toca no próximo dia seis, data em que um dos discos mais famosos e influentes da história do rock está fazendo 40 anos.



Criado por David Bowie, o andrógino espacial Ziggy Stardust era um personagem de ficção cientifica que fez tanto sucesso que quase ficou maior que o seu criador. Quase. Porque Bowie se tornou um dos artistas mais originais do pop, encarnando diversos personagens e vivendo em transformação permanente. Por isso foi chamado de “O camaleão do rock”.


Louro e lindo, culto e inteligente, e talentosíssimo, além de música, David Bowie estudou teatro, pintura e dança, mas começou sua carreira no disco com um fracasso atrás do outro. Alguns anos mais novo do que os Beatles e os Rolling Stones, fã de Little Richard e de John Coltrane, demorou até encontrar seu estilo, que era mudar sempre de estilo.

Quando gravou Ziggy Stardust, em 1972, Bowie tinha 25 anos e era um doidão que cheirava cocaína dia e noite e quase morreu em diversas overdoses. Não escondia sua bissexualidade e saiu maquiado e vestido de mulher numa capa de disco e nas ruas de Londres. A cada escândalo crescia como uma das maiores estrelas do mundo do rock.

Cavalheiro de fina estampa e com treino teatral, Bowie brilhou no cinema como gigolô , vampiro , extra-terrestre, e um oficial americano prisioneiro num campo japonês que tem uma relação pra lá de complexa com o comandante inimigo em Merry Christmas Mr. Lawrence. Bowie fez até Poncio Pilatos na Última Tentação de Cristo de Martin Scorcese e para mostrar que sua beleza também era interior, encarnou O Homem Elefante numa produção teatral da Broadway.

Fãs da música negra americana, Bowie e Mick Jagger fizeram um clip inesquecível revivendo um sucesso da Motown em clima GLS.

Depois de construir uma carreira única, com tantos personagens diferentes, David Bowie lançou seu último disco de inéditas em 2003, com o nome de “Reality”, que na sua faixa-título reflete sobre toda a sua carreira: “Acertei, errei, estou de volta ao começo, procurei um sentido e não cheguei a nada. Ei garoto, bem-vindo à realidade”. Palavra de um herói do rock.



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